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sábado, 26 de janeiro de 2019

“Adeus Mariana, Brumadinho também já foi embora”.



Foto: Gustavo e Otávio Pandolfo. “OSGÊMEOS”


O rompimento da barragem do córrego do feijão em Brumadinho/MG, traz a tona todo o drama e destruição causado pelo também rompimento da barragem do fundão em Marina no dia 05 de Novembro de 2015, também em território mineiro.

Apesar dos danos ambientais em Mariana ter se mostrado bem maiores do que o ocorrido na tarde de ontem em Brumadinho, o número de mortes tende ser bem maiores que os 19 mortos em Mariana, o que torna a tragédia de Brumadinho mais chocante, pois os impactos ambientais em alguns casos podem ser revertidos, se bem que na maioria das vezes é impossível devolver a uma área degradada, suas condições de antes, no entanto, em muitos casos, com as devidas providências e com a própria ação da natureza, os impactos ambientais podem ser restaurados, propiciando a fauna e a flora, uma nova chance de desenvolver-se e reproduzir suas mais diversas formas de vida.

É claro que, para que isso ocorra é necessário acima de tudo tempo, e dependendo da gravidade desses impactos, serão necessários longos anos para que o meio ambiente apresente níveis satisfatórios de recuperação.

O que não acontece quando se trata da maior perda, do maior prejuízo, que é perda de vidas humanas. Esse prejuízo e totalmente irreversível, é algo sem volta, sem reparação.

O desastre de ontem, em termos ambientais, possivelmente se apresentará numa escala bem menor que o causado pelo do rompimento da barragem do fundão em Mariana/MG, porém no que se refere ao número de vidas humanas que foram ceifadas, já podemos afirmar que a tragédia de Brumadinho irá superar Mariana, esse sim é o maior prejuízo.

Ações mitigadoras podem e devem ser postar em prática para reverter tais danos. Mas o que fazer nos casos de mortes, principalmente as mortes humanas? Quais ações podem ser feitas para devolver aos corpos suas almas, tornando-os novamente seres viventes? Infelizmente todos nós já sabemos a resposta, nos casos das vitimas fatais, nada mais poderá ser feito por nossos irmãos das Minas Gerais.

Infelizmente a única coisa a ser feita será devolver seus corpos aos familiares e assim, dar a eles um sepultamento digno e não deixa-los sepultados sob um verdadeiro mar de lama. Mar de lama da negligencia dos órgãos fiscalizadores, mar de lama do descaso com as causas ambientais, mar de lama dos que prevaricam em suas funções, para beneficiar os grandes, em detrimento de ouvir os reclames dos pequenos e humildes.

Que nossos irmãos brasileiros, possam ser resgatados, e ter ao menos um sepultamento digno da pessoa humana.

Voltando para nossas tragédias e, diga-se de passagem, tragédias anunciadas, só nos resta questionar mais uma vez, até quando ficaremos reféns do descaso? Será que a tragédia de Mariana não nos serviu de lição? Será preciso mais Marianas? E a partir de agora mais Brumadinho? Vamos torcer para que desastres como esses, não mais se repitam, e que Deus tenha piedade dos homens e do meio em que eles vivem, “O Meio Ambiente”, que tanto tem sido desrespeitado.

“Adeus Mariana, Brumadinho também já foi embora”.


Por: Nilson Pereira


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