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quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

É PRECISO ARMAR OS BRASILEIROS





Por: Napoleão Maracajá 

Vez por outra vem à tona o debate sobre a possibilidade e a necessidade de liberar o porte, a posse de armar para a população civil. O presidente eleito, Jair Bolsonaro, assinou o decreto que possibilita a aquisição de até QUATRO armas por pessoa. Será realmente que isso vai resolver os graves problemas da violência e da insegurança? Será que isso não vai fortalecer o aumento das milícias? Será que isso não vai aumentar o derramamento de sangue?

Um povo com mais armas não significa um povo mais pacífico. E, se, ao invés de QUATRO armas, o Estado brasileiro assegurasse ao povo, cidadania plena para todos, condições mais dignas de vida?  É preciso armar cada brasileiro, com direito à educação de qualidade, o acesso aos serviços de saúde, à infraestrutura, terra para quem realmente precisa. O Estado deveria se preocupar em permitir que o cidadão tenha liberdade plena de ir e vir, democracia plena, direito a livre manifestação de pensamentos, de ideias, de interação no mundo real ou no mundo virtual, com emprego, com salário suficiente para o suprimento de suas necessidades, com direito à água potável, (afinal, somos a maior potência de água potável do mundo), com direito à alimentação, com consciência dos seus direitos, com consciência política, com direito a uma justiça que não seja seletiva.

E, se ao invés de QUATRO armas, cada família pobre tivesse direito a quatro salários decentes? Ao invés de quatro armas, os que não têm carro próprio, tivessem acesso a pelo menos quatro vezes ao dia a Transporte público? Se, ao invés de quarto armas, o povo pobre tivesse pelo menos quatro refeições diárias e dignas? E, se, ao invés de quatro armas, o povo pobre pudesse comprar roupas e calçados pelo menos quatro vezes ao ano? Se ao invés de quatro armas o povo tivesse direito a pelo menos quatro consultas médicas? E se ao invés de quatro armas, o povo pobre tivesse direito a pelo menos quatro exames clínicos? E se ao invés de quatro armas o povo pobre tivesse pelo menos quatro direitos básicos: Emprego com salário suficiente para o suprimento de todas as necessidades, moradia decente; educação pública gratuita e de qualidade, atendimento vip na saúde pública?

Enquanto os brasileiros, ou qualquer outro povo, não tiver acesso aos bens individuais e principalmente aos bens sociais, de modo pleno, os decretos não terão nenhuma melhoria, armas não promoverão harmonia, ao contrário, à paz estará sempre desarmada.

Ou construímos uma sociedade alicerçada na justiça social, ou continuaremos sendo uma das nações com elevadas taxas de desigualdade social e a violência reinará soberana e armada.

Napoleão Maracajá é Geógrafo, especialista no ensino de geografia, mestre em Geografia, doutor em Recursos Naturais.




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