.

quinta-feira, 9 de abril de 2020

LIÇÕES DO CORONAVÍRUS (COVID - 19): PELA DOR E PELO O AMOR




Por Napoleão Maracajá


O coronavírus já modificou profundamente a sociedade, mudou relações, mudou concepções, uniu opostos, aproximou os distantes, separou famílias, mostrou que as crises econômicas não são as únicas da sociedade, vivemos uma crise sanitária, que matou, mata e mata muito, e tem implicações econômicas, sociais, culturais geográficas, etc.

O vírus virou o mundo, e o mundo até o momento não conseguiu virar o vírus, seguramente vai virar (nós venceremos); no entanto, as mudanças na saciedade já são conclusivas, a saber: ficou evidente que o deus mercado não salva ninguém, no mundo todo, todo mundo está se socorrendo do Estado, e o deus mercado, outrora o todo poderoso, pede socorro. O vírus desnudou o mercado, evidenciou que a mão do mercado é INVISÍVEL mesmo, notadamente em crises como essa; mostrou que nações, pessoas que passaram a vida inteira satanizando “comunistas”, hoje estão pedindo clemência, estão pedindo ajuda e socorro a esses povos demonizados; mostrou que a “prisão” domiciliar não é tão boa como imaginavam alguns; mostrou e está mostrando a importância do SUS (Sistema Único de Saúde), e que nada o substitui; revelou para os “céticos” e também para os céticos sem aspas a imperiosa importância dos servidores públicos, tais como: profissionais da saúde, da limpeza, da segurança, entre outros.

Muitos que, durante muito tempo, o tempo todo, passaram suas vidas desqualificando e desmerecendo os servidores públicos, tiveram, têm e terão suas vidas salvas por esses profissionais. É mister ressaltar, com pesar, que no enfrentamento do vírus, muitos servidores perderam suas próprias vidas lutando para salvar vidas de outras pessoas. Cumpriram o juramento profissional e uma passagem bíblica, “ninguém tem maior amor do que aquele que dá sua vida pela vida dos outros” (Joao 15:13).

A lição que a quarentena nos fez ver e sentir é que os professores fazem falta, que são importantes demais; no entanto, só percebemos em ocasiões como essa, quando nossos filhos estão com os professores, nas escolas, nas creches, não nos lembramos desses profissionais, mas quando nossos filhos estão conosco sentimos a falta que esses profissionais fazem.

O vírus fez aflorar em muitas pessoas o ato de solidariedade, algo que o eminente geógrafo, Milton Santos, um dos maiores pensadores do século 20, já havia sugerido como uma alternativa ao globalitarismo no livro: Por outra Globalização. A solidariedade tem ajudando muito, salvado muitas vidas, que o espírito de solidariedade torne-se viral e perene nos corações e nas mentes de todos nós. A solidariedade está salvando vidas, o individualismo pode matar. É preciso não confundir, pois o isolamento é imprescindível para isolar o vírus.

​Uma lição peremptória, que o vírus nos impõe é que investimentos em educação, em infraestrutura, em tecnologias, em saúde, em ciência são fundamentais por todos os aspectos, inclusive porque salva vidas, é evidente a urgência de investir e fortalecer os serviços públicos.

Covid-19 versus consumo, numa quarentena pouca diferença faz você ter dezenas, centenas de pares de calçados, praticamente não usará, no entanto, é possível que ao olhar para todos os calçados, um ou dois guarda-roupas cheios, isso tenha tocado o coração dessas pessoas. O coronavírus encurralou muitos que a apesar de terem veículos potentes, luxuosos e velozes, nas garagens, estão em desuso, não tem espaço para exibição, para a exposição, o inimigo invisível não permite que o visível seja ostentado.

O vírus fez a Europa, o mais rico dos continentes voltar a um passado fúnebre, no século 14, a ‘peste negra’ que dizimou um quarto da população. O vírus impôs ao destemido Estados Unidos, a maior potência militar do mundo, o medo, o esconderijo, o recuo. Logo, eles, um país afeito a impor o medo, um povo acostumado a enfrentar e a matar qualquer um que contrarie ou obstaculize seus interesses. Em alguns países o vírus mata numa velocidade assustadora, não permitindo, em muitos casos, que familiares das vítimas possam fazer nem velório, nem o sepultamento.


* Napoleão de Farias Maracajá é professor da Rede Municipal de Campina Grande; Professor da Rede Estadual da Paraíba; Geógrafo, Especialista no Ensino de Geografia (UEPB); Mestre em Geografia (UFPB); Doutor em Recursos Naturais (UFCG).


Nenhum comentário:

Postar um comentário