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quinta-feira, 2 de julho de 2020

E tome lágrimas!



"Ai que saudades que tenho/ das noites de São João/ das noites tão brasileiras/ na fogueira/ sob o luar do sertão."

É assim, que começa a canção mais emblemática e a que mais retrata com absoluta fidelidade, a maior e mais contagiante festa do Nordeste brasileiro.

 Zé Dantas, apesar de ter criado outras imortais e verdadeiras obras primas, da música popular brasileira e quase todas, gravadas pelo eterno Rei do Baião, Luiz Gonzaga, como: Acauã; Riacho do Navio; Forró do Mané Vito; Sabiá e Vozes da Seca, dentre outras, não poderia ter sido mais feliz, ao compor "Noites Brasileiras", bem como, não poderia imaginar que essa comovente melodia, mais de meio século depois, seria icônica, quando o Brasil enfrentaria uma pandemia sem precedentes na sua história. Pandemia essa, que mudaria por completo o modo de viver do povo brasileiro.

Quem brincou o São João e/ou o São Pedro, aqui ou em outras localidades do interior, atirando de "roqueira"; soltando mosquito; "espirro-de-bode e peido-de-véia;" quem brincou o São João/São Pedro, acompanhando os adultos, ao redor das imensas fogueiras, contando histórias que sempre falavam de invernadas, comendo milho assado, pamonha e canjica; soltando balões coloridos que entre foguetões e "vira-serra," enfeitavam as frias noites juninas, jamais poderia supor que um invisível agente infeccioso, que a ciência chama de "vírus," pudesse ofuscar o brilho, outrora incandescente, das nossas noites tão brasileiras.

Quem brincou o São João/São Pedro, dançando ou brechando as quadrilhas "chamadas, por Seu Joca, ou pelo meu tio, Miguel do Motor, onde os pares improvisados ou não, numa coreografia e numa sintonia perfeita, se tocavam, respeitosamente, incontáveis vezes, com certeza com uma enorme dor no peito, haverá de ter dito o que eu disse:

"Ai que saudades que eu tenho..."


Por: Zé Minhoca


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