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quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Perdemos a noção do "conteúdo" e o consumismo nos levou a valorizar e a nos encantar com as embalagens...


Agora queremos ser imagens ou figuras espalhadas nas redes sociais...

Não conseguimos viver sem as câmeras fotográficas dos aparelhos e compramos celulares, muitas vezes, para tirar fotos e publicá-las...

Não apenas uma câmera, pois ela só seria uma câmera.

Compramos o celular não apenas para ligar ou fotografar, mas porque, com ele, estaremos sempre vendo e sendo vistos...

Na verdade, o celular é o repositório de imagens que temos e ele nos dá a sensação de que onde estivermos estaremos conectados ao mundo das imagens, apreciando a imagem dos outros mesmo sabendo que não são eles e expondo nossa imagem mesmo sabendo que elas não somos nós...

Esquecemos de observar o conteúdo das coisas e, infelizmente, a força do hábito, nos fez desprezar o conteúdo das pessoas...

A indústria da estética se tornou milionária, pois os corpos bonitos são muito mais importantes que as almas "bonitas"...

As mulheres jovens praticamente expõem seu corpo como um produto à venda e as mais velhas se sacrificam para manter o corpo jovem...

A alma vive escondida por trás do corpo e ninguém tem interesse em vê-la...

As câmeras não fotografam o interior das pessoas porque só registram sua capa, seu exterior...

Não conhecemos a alma de ninguém porque alma é conteúdo e conteúdo requer tempo para ser conhecido, mas não podemos perder tempo para observar uma alma quando existem milhões de imagens que podem ser vistas, às vezes, num relance...

Não temos mais tempo de conhecer as pessoas e nem elas têm tempo de nos conhecer, pois existem milhões de imagens por aí esperando por nós...

Então, por que perder tempo com pessoas se, num minuto apenas, vemos centenas de imagens???

As imagens que passamos o dia olhando não têm conteúdo, são vazias, não têm alma... e nós decidimos ser essas imagens!!!


Poeta Clécio Dias

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