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segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Tido como santo no Agreste, devoção a Padre Zuzinha cresce entre os fiéis





O desprendimento total de bens materiais demonstrava a grandeza espiritual do religioso.



Para os contemporâneos e admiradores do legado do padre José Pereira de Assunção (1905 - 1983), carinhosamente conhecido por padre Zuzinha, o mês de outubro traz sempre a memória o dia cinco em que a cidade de Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste Setentrional de Pernambuco, silenciou as palavras e ecoou o pranto de adeus. A morte do sacerdote defensor dos pobres e humildes, que se tornou prefeito, presidente de sociedade musical e esportiva, marcava o início de uma devoção popular que ultrapassa o tempo e ganha cada vez mais fiéis.



Tendo como ponto de peregrinação, o túmulo do religioso no cemitério São Judas Tadeu, na Terra das Gameleiras, devotos de diversas cidades da região visitam o local para fazer orações, pedir alguma graça ou cura de seus males. “Relatos de milagres e graças alcançadas por intercessão do padre Zuzinha são narrados por fiéis que ao ficarem curados, retornam ao túmulo para pagar as promessas. Muitos deles trazem objetos e fotos que simbolizam milagres alcançados,” conta o pesquisador Marivaldo Andrade.



Paralelo a devoção popular, a igreja Católica, em Santa Cruz, mantém viva a memória do sacerdote que testemunhava o amor a Deus e ao próximo tanto no altar como na comunidade. O feriado municipal de cinco de outubro revive nas ondas sonoras do rádio, na recitação do terço de cada devoto, na celebração de Missa campal das 5h da tarde e principalmente na peregrinação ao túmulo a emoção daquele dia em que o sentimento de tristeza invadiu o coração da população e a conhecida rua Grande pareceu pequena para acolher tantos gestos de amor e gratidão ao padre dos pobres e humildes.




Seja como líder religioso ou chefe do Executivo, Padre Zuzinha vivenciava o desprendimento total de bens materiais, acolhia às necessidades do povo, anunciava o Reino de Deus e conduzia o destino do município com a mesma intensidade com que defendia os direitos dos mais vulnerais. “Na memória de todos que conviveram com ele, está a lembrança do socorro, do auxílio, dos exemplos, dos testemunhos, dos conselhos, do acolhimento, das ajudas nas horas mais difíceis - os quais aconteceram fora de holofotes. Para ele bastava que aquele que lhe procurasse tivesse seu sofrimento diminuído ou seu problema resolvido com uma ação concreta,” pontua a professora Clécia Lira.



JOSÉ PEREIRA DE ASSUNÇÃO



Nasceu em 07 de abril de 1905, no Sítio Várzea Grande, na zona rural de Taquaritinga do Norte – PE. Aos 16 anos, entrou para o Seminário, de Olinda. Em 1933, fora ordenado padre pelo Bispo Dom Ricardo de Carvalho Vilela. Exerceu o sacerdócio, como pároco em Nazaré da Mata, Surubim, Goiana e Santa Cruz do Capibaribe.


Nesta última cidade, foi eleito prefeito por duas gestões (1968 - 1972 e 1977 - 1982), tornou-se o primeiro presidente benemérito da Sociedade Esportiva Ypiranga Futebol Clube e também presidiu a Sociedade Musical Novo Século. No dia 07 de janeiro de 1968 foi vítima de um atentado, após a celebração da Santa Missa, na Vila do Pará; aquele atentado à bala, não o impedirá de assumir, mesmo que de muletas, a Prefeitura.


Padre Zuzinha faleceu em 05 de outubro de 1983, com 78 anos, em Caruaru. Seu velório aconteceu de fronte a igreja Matriz do Senhor Bom Jesus dos Aflitos sob a sombra das gameleiras. Bispo, padres, políticos, autoridades e a presença maciça da população desolada acompanharam a cerimônia fúnebre que parou a cidade das Confecções.



Nos fragmentos da história há quem afirme que o padre soube também calar na dor, silenciar suas angústias, perdoar a quem lhe ofendeu para que a paz sempre reinasse. Sua única dificuldade, e talvez falha, foi o de não saber dizer não, e isso foi, dialeticamente, seu grande diferencial humano, religioso e político.

 

 

Colaboração de Clécia Lira.

Fotos: José Romildo e Domínio Público

 


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