.

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

FALA POETA - POR CLÉCIO DIAS

Fotos: Amaro Dias; Heleno Severino; Diniz Vitorino e Dr. Alexandre Gusmão.



De repente, de dentro de uma casa na Rua Sebastião Bastos, se escutou um tiro, um "pipoco fofo", e as mãos que seguravam a viola carregavam uma espingarda...


O violeiro se preparava para ir a uma "caçada" no sítio Olho D'água do Púcaro quando acidentalmente a espingarda soca soca disparou em sua boca...


Quem estava por perto correu e Amaro Dias foi levado ao médico Dr. Alexandre Gusmão para ser atendido em razão dos ferimentos na garganta...


O antigo médico tratou as lesões de imediato, mas adiantou que o poeta tinha que passar um bom tempo sem cantar. Amaro então pensou nos filhos, o mais velho tinha pouco mais de dez anos e os outros quatro ou cinco filhos eram uma escadinha de idades...


O que fazer sem sua fonte de renda à época: as cantorias?

Alguns dias depois, dois colegas seus, repentistas, Heleno Severino e Diniz Vitorino, participavam de um Congresso de Violeiros em Olinda...


Quando o Congresso terminou, Diniz e Heleno pediram a palavra e contaram a história do violeiro cheio de filhos pequenos que havia se acidentado com a "soca soca"...


Muita gente ajudou, as pessoas colaboraram, e pouco tempo depois, Diniz e Heleno chegaram com um pacote de dinheiro e entregaram ao amigo violeiro, este comprou sacos de carvão para revender e sustentou a família até voltar a cantar...


Infelizmente, em 2003, Heleno Severino deu adeus com pouco mais de 50 anos de idade e em 2010, Diniz Vitorino se despediu com cerca de setenta anos...


Mas o que eles fizeram por meus pais e meus irmãos nunca os deixaram morrer para mim e a atitude humana e solidária deles, realizada mais de 40 anos atrás, quando eu nem nascido era, fizeram nascer, antes de eu nascer, um sentimento de gratidão que nunca morreu e nunca vai morrer...


 

Texto de Clécio Dias.


Nenhum comentário:

Postar um comentário