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quinta-feira, 30 de junho de 2022

“Mudou o São João, ou mudamos nós?”

 

Por: Zé Minhoca 

 


Acompanhando com vivo interesse, as transformações sociais;  políticas; econômicas  e culturais que sacodem o mundo a cada decênio (?), a verdadeira metamorfose que tem mexido com os nossos, outrora, tradicionais festejos juninos, é que tem deixado em mim, marcas profundas.  Na puberdade e na adolescência,  pude testemunhar, apesar das pobres e carentes  condições que a nossa cidade  oferecia aos Artistas (com “A” maiúsculo, como Marinês;  Abdias;  Dominguinhos;  Jackson do Pandeiro;  Zé Januário; Ivan Bulhões;  Juarez Santiago; Trio Nordestino; Os Três do Nordeste, e suprema glória: o Rei Luiz Gonzaga,  que aqui vinham fazer suas apresentações, pois, tínhamos estradas precárias, se é que se podia chamar aquilo de estradas e inexistia sequer Restaurantes, muito menos Hotéis dignos de receber à altura, os maiores e melhores  representantes da nossa autêntica música nordestina.

 

A cidade inteira, era  uma festa só e não existia  uma só  Rua, onde não houvesse uma fogueira queimando e ao seu redor,  uma roda de vizinhos saboreando milho assado, pamonha e canjica, conversando  sobre relâmpagos e trovões,  roçados e cheia no Rio, e as mulheres “botando os assuntos em dia” com  a meninada cheia de encantamento,  olhando os balões coloridos cruzando o céu, enquanto  “soltavam bombas; traques, peidos-de-véia e mosquitos”, infernizando alguns incomodados. 

 

Naturalmente os tempos são outros! Santa Cruz, cresceu! A sociedade evoluiu e os costumes mudaram. Hoje, os jovens como é de direito, e  é absolutamente  compreensível e plenamente  aceitável, ditam “outro rumo” ao São João. Temos boas estradas, com fácil acesso e uma satisfatória rede Hoteleira, com bons Restaurantes e uma portentosa Arena para apresentação dos artistas. Temos uma invejável estrutura,  que acomoda milhares de pessoas. Temos também, insistindo em manter a tradição da Rua e resistindo bravamente,  o “Arraiá da Jatobá”, que sintetiza a resiliência de parte da nossa população.

 

Assim, conquistamos o reconhecimento, como neste ano de 2022, de realizarmos festejos juninos que não ficam nada a dever às badaladas vizinhas Caruaru e Campina Grande - PB!

 

Mas, mesmo assim, fica em mim a lembrança do “São João da minha infância!”

 

“Ai que saudades que eu sinto; Das noites de São João;  Das noites tão brasileiras, nas fogueiras;  Sob o luar do sertão; Meninos brincando de roda;. Velhos soltando balão...”




José Bezerra da Costa (Zé Minhoca), é Inspetor da Polícia Rodoviária Federal; Bacharel em Direito e ex-Vereador no Município de Santa  Cruz do Capibaribe – PE.



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