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sábado, 16 de julho de 2022

Ao irmão que partiu!

 

 

No início da década de 50 do século passado, vindo da cidade-mãe, Taquaritinga, “Seu” Zé Ramos, por ter sido transferido (era da PM), veio morar com sua esposa, D. Detinha (grávida),  juntamente com um filho pequeno  (como eu), na Rua Grande, passando a ser nosso vizinho.

 

Aquele menino, Manoel Ramos, como acontece com todas as crianças, rapidamente se enturmou  com “os meninos lá-de-cima” como éramos conhecidos nós, os meninos  que morávamos depois “do Beco da Usina, inté a incipiente Rua dos Currais”, hoje, Coronel Luiz Alves. Com o passar dos anos, Manoelzinho, como todos o chamávamos, tornou-se para nós, isso com a idade  entre os 10 e os 16 anos, referência de inteligência, dinamismo  e sabedoria, pelo seu desempenho nas Escolas  por onde passou, como na de D. Eulina; das Moraes; Luiz Alves  e no inesquecível  Ginásio, depois Cenecista e atualmente Ivone Gonçalves, além de ter sido, para desgosto de “Seu Zé Ramos”,  o primeiro menino “lá de cima”, a formar”  um time de futebol e por isso (dono do time) a também, ser respeitado e admirado.

 

Adolescente, rompendo barreiras familiares  e sob rigorosa vigilância do pai austero e disciplinador, foi estudar e trabalhar em Caruaru, de onde vinha todos os finais de semana, visitar a família e, principalmente, matar as saudades dos amigos e das peladas nas areias brancas do então vigoroso Rio Capibaribe.

 

Muito jovem (com apenas  20 anos de idade) e cheio de sonhos,  desembarcou em São Paulo onde,  além trabalhar, conseguiu estudar e com esforço sobre-humano, formou-se em Direito passando a advogar em várias regiões do Brasil. Teve, até quando possível,  em Rita, sua esposa e nos filhos Luciana e Tiago, o alicerce necessário para levar adiante seu projeto de vida. Porém, determinado em enfrentar novos desafios, voltou à terra natal onde continuou advogando com relativo sucesso.

 

Mas, quis o lado sombrio  do destino que enfrentando problemas de saúde, ficasse por mais de cem dias hospitalizado, quando  ontem, ao cair da noite, Neide,  sua doce e terna primeira irmã, aflita e  em prantos com  poucas palavras, anunciou: “Zé, seu amigo se foi!”

Hoje, com o coração em prantos e a alma dilacerada, faço minhas as palavras do Poeta mineiro, na maviosa e insuperável canção:

 

“Amigo é coisa para se guardar

Debaixo de sete chaves

Dentro do coração

Assim falava a canção que na América ouvi

Mas quem cantava chorou

Ao ver o seu amigo partir

[...] Amigo é coisa para se guardar

No lado esquerdo do peito

Mesmo que o tempo e a distância digam: Não

Mesmo esquecendo a canção

O que importa é ouvir

A voz que vem do coração

[...] Qualquer dia, amigo, eu volto

A te encontrar

Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar.”

                                                                                                                                                 

Por: Zé Minhoca!


 

 

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